terça-feira, 21 de setembro de 2010

Encontro

Estava apressada, meia fina até as canelas, short saco, colant e um camisão folgado. A bolsa pendia no ombro esquerdo. Apesar do sol, não estava de óculos escuros.
Olhei para o relógio só para confirmar o meu atraso. Fiz uma carinha franzindo a boca e me impulsionei para andar mais depressa. Agora, as coisas começaram a acontecer em câmara lenta: começo a inclinar a cabeça para cima; um cabelo cai no rosto; vou levando minha mão direita em direção a minha bochecha; meus olhos estão fechados num piscar. Quando volto a abri-los, minha cabeça já está direcionada para frente e minha mão está tocando os meus cabelos. Nesse momento o mundo parou.
Não vi pessoas andando nas calçadas. Não ouvi os barulhos de buzinas. Não senti minha respiração (talvez porque não estivesse respirando mesmo). Senti que já estava ali, parada, há alguns minutos. Agora sei que depois de um tempo, não permaneci parada: dei pequenos passos, lentos, em sua direção. Não os senti. Não percebi quando minha mente mandou que eu andasse. Não percebi minha perna se movendo. Ainda a uns três metros de distância ele inclinou sua cabeça, deu um sorriso (o sorriso que esperei por mais de ano) e estendeu sua mão esquerda para mim:
- Vem cá Luiza, me dá tua mão. O teu desejo é sempre o meu desejo. Vem me dar um beijo...
E eu cai sobre os os seus braços, senti o abraço que havia tanto procurado em outros braços e o beijei, como se fosse a última coisa a fazer nesse mundo.


Com uma mãozinha do tom Jobim: Luíza

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