terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Spike Lee e o calor

Confesso que não foi um dos filmes em que prestei muita atenção.... Na verdade, quem bem lembra dos filmes assistidos no colégio, também lembra que eram aulas que usavamos para juntar todo mundo no fundão e fazer qualquer coisa do tipo conversar, jogar cartas, corrida de avião de papel, trancinha no cordão do tênis...

Até que lembro basicamente do enredo e de algumas locações, mas o que seria importante para as redações (nomes de personagens e suas histórias) não faço a mínima ideia. (Se bem que para ser bem sincera, nome da personagem é uma coisa que não fixa na minha memória. Posso assistir o seriado toda semana, ler o livro inteiro com 500 páginas que no momento em que terminar não saberei te dizer quem fazia parte da história, salve Harry Potter, Hermione Granger, os Wesley, Charlie, Alan, Leonerd, Phoebe, Joey, Monica, Chandler e talvez mais uma dúzia qualquer. (Nao tão qualquer assim).

Talvez seja mesmo de se estranhar que eu tenha virado fã de Spike Lee com um filme cuja história eu nem saberia contar.

Mas um filme não é só feito de história. Talvez alguns até reparem na trilha sonora, e não só nas músicas mas também nos sons. Outros podem reparar nas roupas, penteados, maquiagens. Outros ainda nas locações escolhidas para cada cena e viajando assim poderia escrever muitas e muitas linhas. Talvez eu me perdesse e não chegasse onde quero chegar.

Pois foi pela arte, pelo conjunto de locações, expressões, roupas, que adorei Spike Lee no filme "Do the right thing".

Assistindo aquelas duas horas que pareciam mais quatro, tenho como certeza que todos os espectadores puderam sentir a agonia e a aflição gerada pelo calor da cidade. Tudo foi muito bem pensado, escrito, dirigido. O filme parece abafado, sem vento, parado. O clima de calor é trabalhado nos sons, nas fotos paradas da cidade onde não parece ter vento, no suor das personagens, no humor irritadiço e estressado, na agonia.

Engraçado como sempre me lembro desse filme, e como sempre que me lembro fico maravilhada com a maneira como Spike Lee conseguiu transmitir tanto calor para o filme dele.

Pois esse verão está demais. Não me lembro quando senti tanto calor assim, dentro de casa, sentada assistindo televisão. Não sei se já é tão comum assim ter ar condicionado não só no quarto mas na sala também, mas na minha não tem. É a primeira vez que eu me pego com todas as janelas abertas e suando na sala. Não tão primeira vez, há duas semanas esse fato tem ocorrido.

Se a cada ano está pior, não vou nem muito longe: coloque apenas o verão de daqui a dois anos. Pretendo estar esquiando, com toda a minha certeza.

Um comentário:

  1. Seria Spike Lee responsável pelo aquecimento global? É de se pensar... :P

    Beijo Lu!

    ResponderExcluir